Papa Francisco Futebol San Lorenzo e a Glória que Conquistou a América

Apaixonado pelo esporte, pontífice deixa a lembrança do amor do Papa Francisco Futebol San Lorenzo de Almagro seu clube do coração.

A notícia do falecimento do Papa Francisco, aos 88 anos, reverbera em todo o mundo, tocando corações de fiéis e líderes globais. Mas, para além da liderança espiritual, a partida de Jorge Mario Bergoglio deixa um vazio particular no universo do futebol, especialmente entre os torcedores do Club Atlético San Lorenzo de Almagro.

Sua Santidade não era apenas um simpatizante; era um torcedor apaixonado, um membro de longa data cuja fé, tanto a religiosa quanto a clubística, se entrelaçou de forma singular na jornada épica que culminou na inédita conquista da Copa Libertadores de 2014.

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A releção do Papa Francisco Futebol e San Lorenzo – Foto: Club San Lorenzo

As Raízes Profundas de uma Paixão: Do Bairro de Flores ao Vaticano

A ligação do futuro Papa com o San Lorenzo nasceu na infância, no bairro de Flores, Buenos Aires. Filho de um casal com forte inclinação para o esporte – o pai, Mario, jogava basquete no próprio clube – o jovem Jorge Mario era levado ao antigo e saudoso Viejo Gasómetro para assistir aos jogos. Cresceu inalando a mística azulgrana, vibrando com ídolos como René Pontoni e cultivando um amor que se provaria inabalável.

Essa paixão não esmoreceu com a escolha da vida religiosa. Mesmo dedicado aos estudos e, posteriormente, às responsabilidades crescentes dentro da Igreja Católica na Argentina, Bergoglio manteve seu vínculo. Em 2008, formalizou essa conexão de forma perene, tornando-se sócio do clube com a matrícula número 88.235N-0, um detalhe que enchia de orgulho a torcida do Ciclón. Sua fé e seu futebol caminhavam lado a lado, mostrando que a paixão por um clube pode coexistir com os mais altos chamados espirituais.

O Futebol Como Plataforma de Valores

Para o Papa Francisco, o futebol sempre foi mais do que um simples jogo. Ele via no esporte uma poderosa ferramenta de promoção de valores como trabalho em equipe, disciplina, superação e solidariedade. Recebeu inúmeras personalidades do mundo da bola no Vaticano, utilizando a universalidade do futebol para transmitir mensagens de paz e união, destacando a responsabilidade social dos atletas, especialmente perante os jovens.

Curiosamente, apesar de sua paixão fervorosa, o Papa fez uma promessa em 1990 e parou de assistir televisão, o que incluía os jogos de futebol. No entanto, sua sede por notícias do San Lorenzo era saciada por um membro da Guarda Suíça, que diligentemente o mantinha atualizado sobre os resultados e a situação da equipe nos campeonatos. Essa particularidade apenas ressalta a profundidade de seu sentimento pelo clube, transcendendo a necessidade de acompanhar as partidas em tempo real.

A “Glória Eterna” Sob o Olhar do Papa Azul Grená

A eleição de Jorge Mario Bergoglio como Papa em março de 2013 gerou uma onda de expectativa entre os torcedores do San Lorenzo. A “Fé” do clube parecia ter ganhado um reforço divino no mais alto posto da Igreja. E a temporada de 2013-2014 entrou para a história como a mais gloriosa do Ciclón, com a conquista do Torneio Inicial Argentino em 2013 e, o mais importante, a inédita Copa Libertadores da América em agosto de 2014.

O timing foi considerado por muitos como mais do que uma simples coincidência. A imagem do Papa Francisco, o torcedor ilustre, recebendo no Vaticano os campeões da Libertadores e erguendo a taça mais cobiçada do continente sul-americano, tornou-se um símbolo poderoso da conexão entre fé e esporte, entre a devoção espiritual e a paixão secular. Foi um momento de “Glória Eterna” não apenas para o San Lorenzo, mas também para seu mais célebre torcedor, que viu o clube de sua vida alcançar o ápice continental durante seu pontificado.

Apesar de sua posição global e das imensas responsabilidades, o Papa Francisco nunca deixou de ser o “Cuervo” Jorge Mario Bergoglio em seu coração. Sua partida deixa uma legião de admiradores e fiéis, e no bairro de Boedo, a dor da perda se mistura ao orgulho de ter tido o Papa como um dos seus.

A história do San Lorenzo campeão da Libertadores em 2014 estará para sempre ligada à figura de Papa Francisco, um testemunho perene de que a fé, em suas múltiplas formas, pode verdadeiramente mover montanhas… e conquistar a América.

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