Levantameto inédito mapeia onde nascem os craques brasileiros 2026 que atuam nas cinco principais ligas européias.
Onde nascem os craques brasileiros 2026
Jogar na Europa segue como um dos principais objetivos de atletas brasileiros que chegam ao futebol profissional. Em 2026, o Brasil mantém seu papel histórico como um dos maiores fornecedores de jogadores para o mercado europeu.
Mais do que observar o país como um todo, este levantamento busca responder a uma pergunta menos explorada: de quais cidades brasileiras vêm os atletas que atuam na elite do futebol europeu?
Censo do futebol brasileiro na Europa em 2026
Para responder a essa questão, foi realizado um levantamento com todos os jogadores brasileiros registrados nas cinco principais ligas do futebol europeu — Premier League, La Liga, Serie A, Ligue 1 e Bundesliga — na primeira semana de 2026.
O estudo se baseia exclusivamente na cidade de nascimento dos atletas, conforme informações públicas disponíveis em perfis oficiais de clubes, ligas e plataformas de referência esportiva.
A amostra inclui quatro jogadores naturalizados, nascidos no Brasil, mas que representam outras seleções. Ao todo, foram catalogados 86 jogadores distribuídos entre equipes da Inglaterra, Espanha, França, Itália e Alemanha. Saiba onde nascem os craques brasileiros 2026.
Quantas cidades brasileiras chegam à elite europeia?
Segundo o IBGE, o Brasil possuía 5.569 municípios em 2025 — número que pode ter chegado a 5.571 no início de 2026. De acordo com o censo, os 86 jogadores mapeados nasceram em 61 cidades, o que significa que apenas 1,1% dos municípios brasileiros tiveram representantes nas cinco principais ligas europeias no período analisado.
Os Grandes Polos Exportadores
- São Paulo (Capital): Lidera o ranking individual com 10 atletas. (Aumenta para 16 na Região Metropolitana).
- Rio de Janeiro (Capital): Segue com 7 atletas. (Aumenta para 10 na Região Metropolitana).
- Cuiabá: Aparece na sequência, com 3 jogadores atuando na primeira divisão europeia.
Cidades com 2 representantes: Belo Horizonte, Campinas, João Pessoa, Osasco, Porto Alegre, Santos, São Gonçalo, São José dos Campos e Brasília (representada por Gama e Taguatinga).
O Mosaico do Interior (1 jogador por cidade)
As demais cidades compõem um mosaico que vai de grandes centros urbanos a municípios do interior com menos de 20 mil habitantes. Veja todas as cidades representadas:
Sul e Sudeste: Apucarana, Balneário Camboriú, Barra Bonita, Bom Sucesso, Cabo Frio, Cachoeiro do Itapemirim, Campo Erê, Colina, Curitiba, Diadema, Duque de Caxias, Florianópolis, Franca, Francisco Morato, Guarulhos, Ipatinga, Itapecerica da Serra, Londrina, Marialva, Monte Azul, Niterói, Novo Hamburgo, Orlândia, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santa Bárbara do Oeste, São Domingos da Prata, São Vicente, Sertãozinho, Taubaté e Vassouras.
Norte, Nordeste e Centro-Oeste: Açaílândia, Aliança, Cabedelo, Campo Grande, Colorado do Oeste, Fortaleza, Gama*, Governador Valadares, Itapitanga, Macapá, Nobres, Nova Venécia, Picos, Rondonópolis, Salvador, São Mateus, Taguatinga*, Taperoá.
*Gama e Taguatinga são consideradas regiões administrativas (cidades-satélite) de Brasília.

Estados e regiões: Onde se concentra o talento brasileiro?
O censo revela uma disparidade regional profunda no fornecimento de atletas para a elite global. O Sudeste domina o cenário, sendo responsável por 64% dos nascimentos, com um total de 55 jogadores.
A distribuição por regiões segue este panorama:
- Sudeste: 55 jogadores (64%)
- Nordeste: 11 representantes (aprox. 13%)
- Sul: 10 representantes
- Centro-Oeste: 8 representantes
- Norte: 2 representantes
O Mapa da Elite: 17 Estados e o Distrito Federal
Ao todo, 17 estados brasileiros mais o Distrito Federal marcam presença no levantamento, o que equivale a 66,7% das unidades federativas do país. Em contrapartida, um dado chama a atenção: um terço dos estados brasileiros não teve nenhum jogador nas cinco principais ligas europeias no período analisado.
No recorte estadual, a hegemonia de São Paulo é absoluta, concentrando quase 40% de todos os brasileiros na elite europeia:
| Posição | Estado | Nº de Atletas |
| 1º | São Paulo | 34 |
| 2º | Rio de Janeiro | 13 |
| 3º | Minas Gerais | 6 |
| 4º | Mato Grosso | 5 |
| 5º | Paraná | 4 |
Estados com 3 representantes: Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraíba.
Presença do Distrito Federal: 2 jogadores (Gama e Taguatinga).
Estados com 1 representante: Amapá, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Piauí e Rondônia.

Dos 10 milhões aos 9 mil habitantes: O contraste das origens
O levantamento revela um abismo demográfico entre as cidades de origem. Enquanto São Paulo, a maior metrópole do país, lidera em números absolutos com seus mais de 10 milhões de habitantes, o extremo oposto é surpreendente.
O atacante Alemão (Rayo Vallecano-ESP) nasceu em Campo Erê (SC), cidade com apenas 9.623 moradores. Logo atrás vem o zagueiro Bremer (Juventus-ITA), natural de Itapitanga (BA), com 10.279 habitantes.
Essa diversidade territorial é reforçada por outras cidades com menos de 20 mil habitantes que figuram no censo:
- Minas Gerais: São Domingos da Prata e Bom Sucesso.
- Mato Grosso: Nobres.
- Rondônia: Colorado do Oeste.
- Bahia: Taperoá.
- São Paulo: Monte Azul e Colina.
A força das cidades médias e pequenas
Embora as metrópoles concentrem 27 atletas, mais da metade dos jogadores (59 ao todo) nasceu fora dos grandes centros urbanos. Segundo a classificação do IBGE:
| Categoria de Cidade | Nº de Jogadores | Perfil Populacional |
| Metrópoles | 27 | Acima de 1 milhão |
| Cidades Médias/Grandes | 42 | 100 mil a 1 milhão |
| Cidades Pequenas | 17 | Menos de 100 mil |
Um dado curioso: Entre os municípios com menos de 100 mil habitantes, não houve repetição. Cada cidade aparece com apenas um jogador, evidenciando trajetórias individuais excepcionais.

O Índice de Produtividade: Qual cidade “fabrica” mais craques?
Se considerarmos a média nacional, o Brasil produz 0,042 jogador para cada 100 mil habitantes. Mas, quando isolamos as cidades, os contrastes são gritantes.
Campo Erê vs. Capitais
A pequena Campo Erê (SC) ostenta o título de cidade mais produtiva do censo, com um índice de 11,1 jogadores por 100 mil habitantes — um número astronômico perto da média nacional.
Em comparação, as gigantes São Paulo e Rio de Janeiro registram apenas 0,1 no mesmo índice. Já centros como Cuiabá e Santos aparecem com índices próximos a 0,5, mantendo-se bem acima da média brasileira.
O mito das capitais
Os dados desconstroem a ideia de que o talento se concentra apenas nas sedes dos grandes clubes:
- As capitais produziram 34 jogadores (índice de 0,0069 por 100k hab).
- O interior e regiões metropolitanas geraram 54 jogadores (índice de 0,0035 por 100k hab).
- Apenas 13 das 27 capitais possuem representantes na lista, menos da metade.
O papel estratégico dos centros regionais
O estudo aponta que o segredo da exportação brasileira não está apenas na capital, mas na rede de polos regionais. Dos 86 atletas, 66 nasceram em cidades que integram regiões metropolitanas ou centros urbanos regionais (como Campinas e Ribeirão Preto).
Essas cidades funcionam como “berços estratégicos” porque:
- Conectividade: Estão próximas a grandes clubes de Série A ou B (como Londrina-PR, Balneário Camboriú-SC e Santa Bárbara d’Oeste-SP).
- Infraestrutura: Oferecem redes de observação (scouting) e clubes formadores sem a saturação das grandes capitais.
- Trajetória: Permitem que o jovem talento se desenvolva em centros fortes antes de migrar para o exterior, provando que a base do futebol brasileiro está, hoje, mais espalhada e profissionalizada do que nunca.
Embora as metrópoles concentrem o maior número absoluto, mais da metade dos atletas nasceu fora dos grandes centros urbanos.

Baixo índice ou mudança de mercado?
À primeira vista, os números nacionais — especialmente nas capitais — podem parecer modestos. Considerando a fama do Brasil como o “celeiro do mundo”, ter apenas 86 atletas nas cinco principais ligas europeias em 2026 é um dado que convida à reflexão.
O Brasil em comparação com Argentina e Uruguai
Quando olhamos para a proporção por habitante, o domínio brasileiro é desafiado pelos vizinhos sul-americanos:
- Argentina: Com 72 representantes nas mesmas ligas e uma população de cerca de 47 milhões, os argentinos possuem um índice de 0,153 jogador por 100 mil habitantes.
- Uruguai: O destaque proporcional é ainda maior. Com 22 atletas na elite europeia, o Uruguai registra a impressionante marca de 0,73 jogador por 100 mil habitantes.
A realidade do profissionalismo no Brasil
Dados da FIFA de 2023 já sinalizavam um cenário curioso: o Brasil ocupava apenas a 14ª posição mundial em número de atletas profissionais registrados, com 2.123 jogadores. Ao aplicarmos esse índice à população geral, o país apresenta 1,05 jogador profissional para cada 100 mil habitantes.
Este número coloca o Brasil atrás de outros campeões mundiais em densidade de profissionais:
- Argentina: Pouco mais de 3.600 atletas (7,66 por 100 mil hab).
- Espanha: Alcança a marca de 17,47 por 100 mil hab.
O Funil da Elite Europeia
A análise revela que o caminho para o topo é extremamente estreito. Considerando uma média de 2.200 jogadores profissionais brasileiros em atividade, apenas 86 estão nas “Top 5” ligas europeias. Isso significa que menos de 4% dos profissionais do país conseguem atingir o escalão máximo do futebol europeu.
Pulverização do Mercado Global
Este fenômeno não indica necessariamente uma queda na qualidade do talento brasileiro, mas sim uma redistribuição global. O fortalecimento financeiro do mercado interno (Séries A e B) e a expansão de ligas alternativas — como as da Arábia Saudita, Catar e Estados Unidos (MLS) — criaram novos destinos para o jogador brasileiro.
O que vemos em 2026 não é a falta de craques, mas uma pulverização do mercado, onde a Europa divide o protagonismo com novos polos econômicos, embora o funil para o estrelato continue sendo um dos caminhos mais difíceis do esporte mundial.

Onde os jogadores nascem e onde são formados: O fim do “Acaso”
Embora o talento brasileiro brote de forma difusa em 61 cidades espalhadas pelo mapa, o funil para a profissionalização de elite está cada vez mais concentrado. O censo revela uma realidade incontestável em 2026: o talento nasce no interior, mas a “lapidação industrial” acontece em poucos e selecionados centros de excelência.
Se no passado o “campinho de terra” era o berço autossuficiente, hoje o caminho mais eficiente passa obrigatoriamente pelas Séries A e B. Gigantes como Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, São Paulo e Coritiba dominam essa etapa, dividindo espaço com projetos de base altamente estruturados e tecnológicos, como o da Red Bull no interior paulista.
Há, ainda, a rota da exportação precoce: casos como o do zagueiro Alexsandro, que buscou a profissionalização em Portugal antes mesmo de debutar no Brasil, consolidando sua trajetória até a Seleção Brasileira, mostram que o mercado europeu monitora o atleta antes mesmo de ele se tornar um nome conhecido em solo nacional.
A Engenharia do Talento: Infraestrutura como Diferencial Competitivo
O levantamento mostra que o acesso à Europa depende de uma rede complexa de formação, observação e oportunidade. O caminho é claro: o atleta nasce na cidade natal, mas a migração precoce para centros que ofereçam moradia, suporte médico e estabilidade é o que define quem atravessa o Atlântico.
Casos de Sucesso em Investimento de Base
Abaixo, detalhamos como os principais clubes brasileiros estão estruturando suas “fábricas de talentos” para atender ao exigente mercado de 2026:
- Palmeiras (A Academia de Ouro): Com um investimento acumulado de cerca de R$ 360 milhões na base nos últimos 10 anos, o clube se destaca pela Academia de Futebol 2, em Guarulhos. O foco não é apenas técnico; a estrutura é projetada para oferecer moradia de alto padrão e suporte integral, garantindo que o jovem venha de longe com estabilidade para evoluir.
- Flamengo (O Imã Nacional): O Rubro-Negro utiliza sua força de marca e rede de scouting para atrair atletas de cidades distantes, centralizando a formação no Rio de Janeiro e transformando potencial bruto em ativos de valor internacional.
- Athletico Paranaense e Coritiba (Polo Paranaense): O estado do Paraná se consolidou como um celeiro estratégico. O CT do Caju (Athletico) e a estrutura do Coritiba são referências por reunir jovens de diversos estados, oferecendo um ecossistema de suporte que vai muito além dos gramados.
- Cruzeiro e Atlético-MG (O Eixo Mineiro): Em Minas Gerais, os clubes exercem forte influência regional, captando talentos principalmente de cidades próximas às capitais e polos do interior mineiro, encurtando a distância entre a base e o profissional.
O Modelo de Identidade vs. O Modelo de Expansão
Um ponto fascinante revelado pelo censo é o contraste entre clubes que “buscam fora” e clubes que “bebem na fonte local”.
Clubes como Vasco, Botafogo e Corinthians apresentam índices elevados de atletas nascidos na própria cidade de origem do clube. O Vasco da Gama, especificamente, é o caso de estudo mais emblemático de identidade regional:
- Escola em São Januário: Desde 2004, o clube mantém uma escola interna com ensino básico e médio. Em 2025, essa instituição foi premiada pela excelência em gestão educacional.
- Raízes na Periferia: O Vasco mantém uma presença capilar nas periferias e comunidades do Rio, utilizando seu setor social para mapear talentos que muitas vezes passariam despercebidos pela concorrência.
A Chegada do Capital Internacional: O “Efeito Bahia”
Essa filosofia de transformar centros regionais em potências globais ganhou um novo capítulo com o Grupo City. De acordo com o planejamento estratégico liberado em 2024, a meta é tornar a base do Bahia, em Salvador, a melhor do país até 2033.
- Investimento: Superior a R$ 300 milhões.
- Foco: Não se limita a campos e bolas; o projeto foca em suporte psicológico, rede médica de ponta e assistência familiar, visando monopolizar a formação de talentos na região Nordeste.
O que o censo revela sobre o DNA do Futebol Brasileiro
Em última análise, o futebol brasileiro em 2026 prova que formar um jogador de “Top 5 europeu” é um processo de superação de desafios. O atleta enfrenta a integração em uma nova cidade, a distância da família e a pressão da subsistência.
Afinal, onde nascem os craques brasileiros 2026?
Conclusão: O Futuro da Formação e o “Mapa do Sucesso”
O censo de 2026 deixa claro que o acesso ao futebol europeu não é um evento isolado, mas o resultado de uma rede complexa que envolve talento nato, observação técnica e infraestrutura de ponta. Embora o Brasil continue sendo o maior exportador de jogadores do planeta, o perfil desse “produto” mudou: ele está mais difuso geograficamente, mas mais concentrado em termos de profissionalização.
A hegemonia do Sudeste e a força das regiões metropolitanas mostram que estar perto dos centros de decisão e dos grandes polos de scouting ainda é o caminho mais curto para a Europa. Por outro lado, o surgimento de talentos em cidades pequenas como Campo Erê (SC) e Itapitanga (BA) prova que o interior brasileiro continua sendo uma mina de ouro inesgotável, desde que conectada a centros regionais fortes como Londrina, Campinas e Ribeirão Preto.
O que aprendemos com os dados?
- Talento é difuso, mas a lapidação é concentrada: O jogador nasce em qualquer lugar, mas só chega à elite se encontrar infraestrutura (como a Academia do Palmeiras ou o CT do Caju).
- O mercado global se fragmentou: A Europa não é mais o único destino de ouro. A ascensão da Arábia Saudita e da MLS mudou o fluxo, tornando os 86 nomes nas “Big Five” um grupo ainda mais exclusivo.
- Investimento gera resultado: Clubes que investem em educação e suporte psicológico, como o Vasco e o projeto do Grupo City no Bahia, estão redesenhando o mapa da exportação para a próxima década.
Em resumo, ser o “país do futebol” em 2026 exige mais do que apenas bola no pé. Exige inteligência de dados, captação estratégica e, acima de tudo, a capacidade de integrar o interior profundo aos grandes palcos mundiais. O mapa está traçado; o desafio agora é garantir que mais municípios façam parte desse seleto 1,1% que brilha no topo do mundo.
onde nascem os craques brasileiros 2026